Você sabe como a ciência
avalia o envelhecimento além da idade?
O envelhecimento é um processo natural da vida, e ao longo
dos anos, a forma de compreendê-lo vem passando por importantes transformações.
Com o aumento da expectativa de vida, torna-se cada vez mais
necessário olhar para a pessoa idosa de maneira mais ampla, considerando não
apenas sua idade cronológica, mas também funcional, biológico, fisiológico,
socioeconômico e demográfico.
Cada pessoa envelhece de maneira diferente, além de ser
influenciada por diferentes fatores e pelas experiências acumuladas ao longo da
vida. Por isso, avaliar a qualidade de vida e a saúde na velhice exige uma
abordagem que vá além da identificação de doenças, levando em consideração a
autonomia, a capacidade funcional, o contexto em que a pessoa está inserida e a
existência de redes de apoio.
Compreender as diferentes dimensões do envelhecimento é
fundamental para combater estigmas relacionados à velhice e promover uma visão
mais individualizada e respeitosa dessa etapa da vida. Afinal, quando falamos
em envelhecimento, a pergunta não deve ser apenas “quantos anos você tem?”, mas
também como você vive, como se sente, o que consegue realizar e quais condições
possui para envelhecer com autonomia, saúde e qualidade de vida.
Classificação por Faixa Etária ou Cronológica
A OMS (Organização Mundial da Saúde) dividiu a pessoa idosa
em três fases, para facilitar tratamentos e evitar estigmas acerca da pessoa
idosa.
No Brasil, uma pessoa é considerada idosa a partir dos 60
anos, passando a ter direitos e políticas específicas de proteção e
assistência.
Idoso jovem (60 a 74
anos): a maioria mantém-se fisicamente ativa, atuando muitas vezes no mercado
de trabalho e praticando atividades sociais e hobbies.
Podem começar a enfrentar mudanças leves relacionadas ao
envelhecimento, como redução na densidade óssea, alteração da visão ou audição
e diminuição da elasticidade da pele.
Geralmente, as condições de saúde que surgem nessa etapa são
preveníveis ou controláveis, como a hipertensão e diabetes tipo 2. No entanto,
é importante manter a saúde mental e física em dia, através de
exercícios, boa alimentação e acompanhamento médico regular.
Idoso de meia-idade
ou avançada (75 a 89 anos): fase em que os sinais do envelhecimento ficam
mais visíveis e aumenta a tendência a problemas de saúde e necessidade de apoio
em algumas atividades do dia a dia. Com isso, o ritmo de vida pode desacelerar
devido a limitações físicas ou energéticas, mas muitos continuam ativos em seus
próprios termos.
Já a capacidade cognitiva pode variar nesta categoria de
idoso, sendo essencial o estímulo mental e o tratamento precoce de sinais de
demência ou declínio cognitivo. Muitos começam a precisar de assistência
para atividades diárias, como tomar medicamentos, deslocar pela cidade, entre
outros.
Muito idoso ou
longevo (90 anos ou mais): grupo caracterizado por maior fragilidade física
e dependência de terceiros para tarefas básicas do dia a dia, como se vestir,
tomar banho e comer.
Entre os idosos longevos, é mais comum o surgimento de
condições associadas à idade, como osteoporose severa, perda auditiva severa,
Alzheimer ou outras demências.
Funções fisiológicas, como imunidade, mobilidade e
metabolismo, também apresentam declínio acentuado. A socialização e o cuidado
emocional tornam-se fundamentais para preservar a qualidade de vida.
Em casos em que a saúde está mais comprometida, cuidados
paliativos ou acompanhamento domiciliar/hospitalar são necessários para oferecer
conforto e suporte.
Classificação funcional: a Escala de Katz e a Avaliação Geriátrica Ampla (AGA)
A classificação funcional olha para o que realmente importa:
a pessoa consegue fazer as coisas do dia a dia ou depende de alguém? Isso dá um
retrato muito mais fiel das necessidades reais.
A Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) é um método
multidimensional que examina a saúde física, a capacidade mental, a nutrição, o
humor e o suporte social do idoso. Ela ajuda a planejar tratamentos e a prever
riscos de saúde
Já a escala de Katz, implantado em 1963, avalia seis funções
essenciais de autocuidado: Banho, vestir-se, uso do vaso sanitário,
transferência (sair da cama para a cadeira), alimentação, continência (controle
de esfíncteres).
Outras ferramentas de apoio para esta avaliação, são:
IVCF-20 (Índice de Vulnerabilidade Clinico-Funcional) e a escala de Lawton. A
Escala de Katz e a Escala de Lawton são as ferramentas mais usadas no mundo para
este tipo de avaliação. E a Avaliação Geriátrica Ampla (AGA)? Essa é tipo o
padrão ouro, porque junta tudo: físico, cabeça, emoção e vida social.
Com essas ferramentas pode-se classificar a pessoa idosa em três categorias. São eles:
- Idoso independente: Faz tudo – comer, tomar banho, se vestir, pagar contas, pegar ônibus – sozinho.
- Idoso semi-dependente: Precisa de uma mãozinha em algumas coisas. Tipo preparar comida ou lembrar de tomar remédio.
- Idoso dependente: Não rola sem ajuda total. Geralmente por causa de demência ou um AVC que deixou sequelas.
Classificação biológica e fisiológica: envelhecimento primário vs. secundário
O processo biológico e fisiológico de envelhecimento pode
ser classificado em:
- Envelhecimento primário (senescência): Aquele desgaste natural, que todo mundo vai ter. Perda de massa muscular (sarcopenia), lentidão na renovação celular, a pele fica menos elástica, a imunidade cai um pouco, aparecimento de cabelo branco. É progressivo e irreversível. O "normal" para idade.
- Envelhecimento secundário (senilidade): engloba as alterações que não são causadas pelo tempo em si, mas sim por fatores externos e patológicos. Ele resulta do impacto de doenças, estilo de vida inadequado e exposições ambientais acumuladas ao longo da vida. Fisiologicamente causa Danos tecidos estruturais causados por processos como inflamação crônica, estresse oxidativo acelerado e disfunções metabólicas decorrentes de patologias, como diabetes, fumo, vida sedentária, má alimentação. Varia de pessoa para pessoa e pode ser prevenido, retardado ou revertido através de intervenções médicas e mudanças de hábitos.
Saiba a diferença entre senescência e senilidade. Clique /
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https://alongandominhavida.blogspot.com/2022/06/voce-sabe-diferenca-entre-senescencia-e.html
Classificação socioeconômica e demográfica: renda, gênero e arranjo familiar
Essa classificação permite montar um perfil socioeconômico
desta população e identificar as desigualdades. A renda, o gênero e o arranjo
familiar revela quem está em situação de maior vulnerabilidade, além de demonstrar
como as estruturas sociais se organizam. Quando cruzamos as informações dessas três
variáveis conseguimos realizar a classificação socioeconômica e demográfica dos
idosos da seguinte maneira:
- Idoso institucionalizado: Mora em asilo ou ILPI (Instituição de Longa Permanência).
- Idoso comunitário: Vive na própria casa, com família ou sozinho.
- Idoso em situação de vulnerabilidade: Baixa renda, não sabe ler direito, mora mal, vive isolado.
Fontes:
https://cbhpp.org/blog/Como%20se%20classificam%20os%20idosos/
https://trabalho60mais.com.br/saiba-em-qual-categoria-de-idoso-voce-se-encaixa-de-acordo-com-a-oms/

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